domingo, 12 de agosto de 2007


Eu sou/estou exatamente assim: o escuro iluminado.

O pessimismo ainda ronda. Por onde andará o sopro de Deus?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Post Script

De um tempo em que tudo o que eu queria ser da vida era poeta...


Escuta,
Não tenho nada a dizer.
Eu só tenho fome.
Essa fome endoidecida dos olhos.
Essa fome de terra e de miragem.
Olha,
Não tenho nada a mostrar.
Eu só tenho essa escuridão.
Essa escuridão comum das vozes.
Essa escuridão tão minha e tão alheia.
Espera,
Eu só tenho pressa.

domingo, 15 de julho de 2007

OTerrível Malaman!

De todos os grandes vilões da história, nenhum me criava tantos calafrios quanto Malaman. Sei hoje que esses meus arrepios não eram assim tão solitários. Acabei por descobrir, com o tempo, que muita gente também o temera. Apesar de nunca ter visto uma foto ou ilustração, ele deveria ser terrível. Uma espécie de gigante numa malha bem apertada com um "M" vermelho de sangue escorrendo no peito. Malaman era pra mim o próprio senhor das trevas. O mal encarnado, a última besta do apocalipse, o derradeiro professor de química...

Atire a primeira pedra quem nunca se contorceu ao ouvir essa oração:

"Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Malaman"

sábado, 7 de julho de 2007

Restituição

"Restitui. Eu quero de volta o que é meu.."


Depois de cantar essa música, pela primeira vez fiquei pensando sobre as coisas que perdi. Minhas tendência mais natural é pensar que o que perdi me foi tirado. Culpo principalmente o diabo, e num arroubo de autoridade o encosto na parede exigindo minhas coisas de volta.

Parando pra pensar mais seriamente sobre isso, me pergunto se a questão não seria ainda muito pior. Será realmente que as coisas mais importantes me foram tiradas por meio de algum ardil diabólico? Não. Minhas perdas são mais tristes. Reconheço que a maioria das coisas que perdi nào me foram roubadas. Elas foram simplesmente entregues por mim mesmo, ou ainda pior - foram literalmente colocadas de lado como um brinquedo que perde o encanto assim que se ganha um novo.

Quer tristeza maior que a não compreensão das verdades espirituais. Em raros momentos da minha vida eu tenho uma perspectiva clara do mundo espiritual. Quase sempre meus olhos estão embaçados por uma espécie de névoa que paira sobre as coisas realmente importantes. E é como se essa máquina de fumaça estivesse nas minhas próprias mãos. Não consigo dar valor real às coisas. Me sinto como Esaú, trocando a bênção de sua primogenitura por um prato de lentilhas. Não sei dar valor valor às coisas importantes, e em muitos momento eu inverto os valores.

Sou um homem rude para o mundo invisível, e há uma nuvem de pessimismo rondando o meu horizonte.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Medíocre, eu?

Mediocridade é uma palavra que acabou ganhando um peso muito maior do que realmente se pretendia. Chamar uma pessoa de incompetente, burro ou zero à esquerda é ruim, mas chamar de medíocre é muito pior. O medíocre é o indivíduo que anda sempre na média e nunca se destaca em muita coisa. Ele passa sem ser notado - quase um vulto. Faça um pequeno teste: quando você pára pra pensar em algum colega de classe que se destacava vc pensa em quem? Eu penso normalmente em quem era muito bom e também em quem era excelentemente ruim. Já viu alguém se destacar porque tirou um sete? Talvez conseguisse se fosse em alguma prova de cálculo, onde sete significa quinze, numa escala de zero a dez. Estar na média pode ser confortável pra muita gente, mas ser chamado de medíocre é um insulto que tira outro tanto de gente do sério. Inclusive a mim.

Dia desses eu me peguei pensando sobre a mediocridade em que o meu relacionamento com Deus às vezes se esbarra. Fiquei me perguntando como alguém que tenta ser excelente em tudo (até patologicamente excelente) pode se conformar com uma experência tão superficial com Deus, se acomodando a uma vidinha meia boca, pautada simplesmente pelo que é tangível e natural. Isso anda me roubando o sono, e numa época em que pouquíssimas coisas são capazes de fazê-lo. Isso me consola de alguma forma. Meu coração embrutecido ainda sente alguma dor.

Depois de terminar a leitura de A Batalha De Todo Homem, cheguei a uma conclusão aparentemente contraditória: Meu relacionamento com Deus não tem nada de medíocre. Eu sou completamente bem sucedido no meu relacionamento com Deus, mas dentro dos moldes que eu mesmo estipulei: um relacionamento meio a meio, onde o padrão de Deus foi emaranhado com o meu. Onde eu consigo equacionar perfeitamente as minhas mazelas com meu passaporte pro céu. Sou bem sucedido porque bem no fundo (e não confesso isso sem me estremecer), é exatamente isto que eu quero: uma jornada onde a minha mão não entregue, de maneira alguma, a direção do leme. Acaba que Jesus, que era pra ser Salvador e Senhor, é destituído do senhorio e eu assumo a função.

Não quero esse tipo de vida. Não quero esse tipo de sucesso. Quero voluntariamente entregar tudo, mesmo que pra isso eu precise muito de Sua ajuda.

sábado, 16 de junho de 2007

Pós congresso? Ainda não!

Eu sei que parece bem estranho eu não postar nada sobre o último congresso do alfa e ômega, mas eu não curti esse tempo da maneira habitual. Trabalhei de mais e dormi de menos. Estou me bastando com as experiências alheias, e me alegrando nisso. Sou um homem de bastidores e gosto de transitar nesse meio um tanto sem glamour. O congresso ainda não se encerrou de todo pra mim, mas quando isso acontecer eu volto aqui

sábado, 28 de abril de 2007

Pequena manhã

Eu tenho uma paixão pueril pelas madrugadas. Não se trata de um surto de boemia ou um lapso de poeta romântico. Já vivi alguns anos atrelados aos dois, e por isso mesmo sei bem a diferença de agora. Eu gosto do cheiro da noite aberta. Eu gosto do silêncio, que é bem mais uma voz murmurante que silente. Eu gosto de ver as pessoas dormindo e de adormecer enquanto despertam. Eu gosto desse desencontro não premeditado. À noite, as coisas são o que são e não há o exagero de luz que obriga, às vezes, o disfarce. Mas apesar dessa declaração pública de amor aos ares noturnos, foi a luz quem me presenteou essa semana.

Eu me preparava pra dormir quando tive a impressão de que todas as luzes da casa dos meus pais haviam se acendido. Pelo vão da porta da sala transbordava um caudaloso feixe de luz. Demorei um pouco até me lembrar de que o sol nascia de frente pra nossa casa, mas não me demorei nada em subir as escadas e me apresentar ao sol. E eu fui literalmente alcançado por essa esperança matutina. Ali, debruçado no parapeito de uma janela, eu lembrei de muitas outras vezes em que um nascer do sol foi capaz de instaurar em mim um sentimento urgente de esperança.

Pensei também naquela manhã de um domingo de Páscoa, onde muitas pessoas acordavam com os olhos doídos de chorar e com as almas esfaceladas. Pensei naquelas mulheres que se arrastavam cabisbaixas e com o braços repletos de especiarias. Tento visualisar o túmulo aberto de Jesus, e o sol ganhando lentamente a superfície irregular da rocha entalhada, e os olhos daquelas mulheres ganhando os espaços vazios. Fiquei pensando que naquela manhã a esperança humana foi elevada ao ponto mais alto. E essa mesma manhã vem iluminando a minha vida ainda mais que o sol, e toda esperança que tenho é o eco desse grito contra a morte.

Sou todo feito de esperança.


Veja, a manhã resplandece!
Que mistérios haverá
Por trás de um raio de sol?
Tu não sabes, nem mesmo eu.
Mas chega-te à janela,
Fecha os olhos e verás.