segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre a natureza do medo

Esse texto deveria se chamar " Sobre a natureza do MEU medo", mas deixei assim mesmo, porque bem no fundo acredito que ele não seja apenas meu, por mais que pouca gente tenha coragem de manifestá-lo. Não espere um texto primoroso, nem desafiador, tampouco filosófico ou ainda teológico. É apenas um desabafo. Um daqueles pensamentos que se deixa escapar em momentos de extremo cansaço, ou um pensamento dito em voz alta, sem querer. Mas que, ao sair, apesar do embaraço, dá uma certa sensação de liberdade e alivia uma espécie de complexo de Atlas, por querer levar o mundo nas costas, ou melhor, um mundo; por menor que ele seja, e por mais pessoal que seja.

Quando nos debruçamos sobre o próprio medo tudo é turvo. Ficamos alí, meio que cegos tateando em desespero. Conhecemos nosso medo porque ele tem forma e por isso somos capazes de encontrá-lo no escuro. Sobretudo no escuro. O que normalmente encontro não é uma forma definida. É como tatear pedras e estar vendado. Algumas são absurdamente diferentes, mas outras são muito parecidas, e nesse ponto é que as coisas realmente nos escapam. Durante muito tempo eu segurei um medo em minhas mãos e acreditava piamente se tratar dO medo. Aquele medo primordial, que rouba o sono e seca a boca. E por mais que roubasse o sono e secasse a boca, não era ele.

Tenho um amigo que é míope, e outros míopes se confortam nisso. Não acredito que outros cegos se consolem na minha cegueira. Meus olhos estão repletos de escamas que não caem. Cada um precisa aprender a lidar com suas deficiências. E a minha me enganou por um tempo considerável. Um tempo que começou na adolescência, no exato momento que eu deixei de acreditar nas coisas simplesmente por osmose e passei a necessitar de um um pouco de esforço pra isso.

Sempre tive medo de acreditar que Deus não existisse. Por mais que eu tenha 99,9% de certeza, os 0,01 restante às vezes parecia ter mais corpo e numa relação inversamente proporcional, parecia maior. Terrivelmente maior. Se Deus me mandasse um bilhete apenas, uma mensagem no celular ou um scrap no orkut poria fim nisso, o que na verdade eu até duvido muito. Acho que precisaria mesmo do arcanjo Miguel com uma mensagem em papiro e com a firma reconhecida em cartório e tendo como testemunha os 12 apóstolos. Mas esse medo era uma mutação do medo original. Uma espécie de vírus que se transforma pra iludir o organismo. Para chamar toda a atenção dos leucócitos, enquanto o vírus real, o original, pôde ir se desenvolvendo sem muitas dificuldades. Mesmo que imperceptível. Não sei ao certo se a luz conseguiu penetrar num milissegundo capaz de me mostrar o erro, ou se foi outro cego com o tato mais sensível. A verdade pura e simples, por mais que pureza e simplicidade não sejam aplicáveis, é que meu medo não tem nada a ver com a existência ou não de Deus. Tem a ver com seu caráter.

Descobri que o medo que me compunge é descobrir que Deus não é bom, e que o sadismo irônico que, teima em querer mostrar a face no universo, realmente tenha uma face. Medo de que o sofrimento não tenha nenhuma função pedagógica e que C.S. Lewis tenha se equivocado quantao ao "megafone de Deus". Mas como eu posso querer ser aferidor da bondade de Deus baseado apenas no meu conceito de bondade? Se a minha justiça é como "trapo de imundície", minha bondade não está nada distante da mesma metáfora. E qualquer tipo de comparação me alçaria a um patamar acima de Deus(ou semelhante a Ele) e eu conheço uma história parecida que não terminou nada bem. Saber disso consola menos do que saber que a minha mente limitada não é capaz de processar Deus em sua plenitude. O que muda afinal de contas quando a resposta para a pergunta real lhe escapa tanto quanto para o sofisma?

Mas continuo eu aqui: em meio à dúvida e certeza, medo e fé. Mas percebo algo que muda completamente o meu estado. Apesar de continuar tateando medos e incertezas sem enxergar, faço-o não como quem está no escuro, mas como quem olha diretamente para o sol.

No fim das contas continuo cego, mas é por tanta luz me iluminar.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Um pouco sobre mim, contado por mim mesmo e em um momento de extrema e rara lucidez

Se isso fosse um diário, eu começaria com meu primeiro ato, do qual, diga-se de passagem, não tive culpa alguma: meu nascimento. Rasgando o mundo às sete horas da manhã, minha epopéia começou me fazendo acordar cedo e essa sina pontuou a minha vida. Do tempo intra-uterino não me lembro de nada, pelo menos não que eu me lembre. Assim, já começo com um déficit de nove meses. Tempo esse envolvido em brumas líquidas e em pensamentos que ainda hoje me são um mistério. Talvez esses tenham sido meus pensamentos mais originais.

A primeira palavra inteligível que saiu da minha boca não teve glamour algum, mas teve lá seu toque de originalidade: titia. Não, não era um conflito materno nem uma retaliação a alguma mamadeira esquecida. Mais uma vez, fui vítima. Culpa da minha tia Suely (irmã da minha mãe, que posteriormente casou-se com o irmão do meu pai). Enquanto minha mãe trabalhava, ela cuidava de mim. Sabe Deus porque, ela decidiu que já era tempo de mexer nessas relações linguísticas. Diriam os mais reacionários que faço alarde por nada e que "titia" não nada demais. Feito seria ter dito paralelepípedo. Mas aí seria mais que original, seria quase demoníaco.

Eu creci num tipo de lugar que você nem se dá conta da beleza e majestade. Isso, até o dia em que se sai e se depara com um mundo gigantesco. Minh infância foi rica e preciosa. Repleta do encanto comum dos lugares mais afastados e retirados. Retiro do Muriaé. Quinta distrito de Itaperuna, cidade situada no noroeste fluminense (não o time, por favor). Itaperuna foi a primeira cidade republicana do Brasil. Em fevereiro de 1889 foi inaugurada a primeira câmara de vereadores desse nosso Brasil varonil (em nome de todo itaperunense, peço humildes desculpas por isso). Eu vivo repetindo esse conhecimento inútil como forma de não perder um certo orgulho interior e interiorano.

Em Retiro, o tempo passa muito devagar e às vezes dá a impressão absurda de nunca passar. Mas o tempo é inexorável e inexoravelmente passa. A minha infância definiu a minha vida de formas muito variadas. Ela me acompanha nas carências não supridas e no meu desespero em tentar ver algo novo nesse mundo já tão gasto de se olhar. Sou o primeiro filho de um total de quatro; e sou a prova viva de essa história de o irmão mais velho é sempre o mais mal humorado foi definitivamente inventada por algum irmão do meio, ou talvez um caçula.

A história não acaba aqui, afinal daqui a quatro dias eu completo vinte e sete primaveras. Isso é bem mais que um clichê. Realmente nasci na primavera, bem no finalzinho pra ninguém fazer um comentário maldoso.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007


Poderia começar esse post da maneira habitual com a qual venho dando essa notícia, mas prefiro ir direto desta vez: ESTOU NOIVO. Escrever isso é fácil. Difícil foi esconder a caixinha das alianças. Não entrarei em pormenores, mas me espanto até agora de ter conseguido fazer uma surpresa. Eu tenho olhos muito grandes e por isso mesmo a minha alma fica muito vislumbrável. Não sei como a Rosa não percebeu. Sim, no meu pequeno planeta também há uma Rosa, mas a redoma era minha e não dela. Ela me amou primeiro, mas isso foi apenas até eu me dar conta de que eu a tinha em amor; era só transformá-lo. O que no fundo significou simplesmente tê-lo deixado seguir seu curso natural. Não vou me extender. O que me pesa é o silêncio, e o meu silêncio é dela e só ela traduz.

A mesma pessoa pela vida inteira.

Azul...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O projeto dos meus sonhos

Ainda guardo viva uma memória bem específica da minha infância: quando eu subia um grande armário de alvenaria para pegar, lá no alto, uma coleção de livros de arte que a minha mãe guardava. Não sei dizer ao certo o que me chamava mais a atenção. Se eram os projetos e exercícios, ou conhecer um pouco da vida e obra de grandes pintores. Não sei se uma pessoa já nasce com inclinação para alguma coisa, mas se isso for verdade, talvez explique o porquê do meu fascínio por arte e literatura. Não me recordo de alguém vir até mim com um livro debaixo dos braços. Sempre era um impulso próprio. Um impulso proporcional à minha paixão.

Vindo de uma família cristã, sempre vi a arte como um forte indício da nossa natureza original em Deus. Nosso desejo de criação como resquício da Criação maior. O Sublime que perspassa o decaído, o desfigurado, o vazio. À época de escolher um curso universitário, eu queria os dois: a literatura e a pintura, mas por um capricho acadêmico, eu precisava escolher apenas um. Como se fosse possível escolher entre matar a sede ou matar a fome, enquanto os dois anseios pulsavam desmedidos na alma. Minha idéia era fazer um curso oficialmente e cursar o outro como ouvinte. Não queria o título, queria o conhecimento. Apesar da Faculdade de Letras e da Faculdade de Belas Artes ficarem em prédios vizinhos, o tempo foi ainda mais caprichoso, e eu me tornei apenas bacharéu em Literatura Brasileira.

Foi justamente cursando Letras que conheci a Cruzada Estudantil e o seu ministério universitário, o Alfa e Ômega. Na companhia de outros universitários amadureci, fortaleci a minha fé e fui impactado pelo testemunho dos missionários, com os quais andava diariamente. No correr do tempo, fui agraciado por Deus com a chance de servi-lo nao apenas com a minha escrita, mas também com o meu traço e com a minha criatividade. Sem mesmo planejar, me vi envolvido pelo design gráfico e pela edição de vídeo.

Em janeiro de 2008, o Alfa e Ômega vai realizar um projeto missionário diferente de tudo que já foi feito. Um projeto onde pessoas com inclinação para design, tradução, produção de textos, vídeos, fotografia e publicidade terão a chance de mudar a cara do movimento.Num tempo em que temos vivido a maior crise espiritual da história, tem sido um grande desafio chegar ao coração dos estudantes universitários. Apesar de sabermos que o conteúdo do evangelho não pode ser adulterado, ele precisa ser exposto de forma adequada a esses jovens.

Mas por que escrever sobre um pouco da minha vida para falar de um projeto missionário? Simplesmente para dizer que o quanto meu coração está nisso. Eric Lidell, o famoso corredor cristão, disse que Deus o havia feito veloz, e quando ele corria, podia sentir o prazer dEle. Guardando as devidas proporções, o mesmo acontece comigo. Quando meu lápis corre sobre uma folha de papel, ou passo horas à frente de um computador preparando material – atividades que normalmente não consideramos “espirituais” – sinto o prazer de Deus. Sinto Seu prazer porque essa é uma maneira profundamente pessoal de glorificá-lO.E esse é um sentimento que transcende a satisfação pessoal por se fazer o que gosta. Tem mais a ver com a consciência de que estou cumprindo o propósito para o qual Deus me criou.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Noite alta
escura
e silente.
O luto
precede
a luta.
A luta
procede.
Eu luto.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O tema é recorrente.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ausência prolongada

Esse caderno virtul ababa me surpreendendo por durar tanto. Estou envolvido em outras histórias, dessas histórias que escrevo com imagens. Em algum momento eu volto.